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A única mãe que consegue cuidar dos filhos é a que está viva!

Data: 04/05/2022 15:00

Autor: Glaucia Amaral

imgO Dia das Mães está chegando, com as homenagens, as flores, os presentes. Porém, em meio à celebração, essa frase não me sai da cabeça.
 
Ouvi, confesso que com lágrimas, essa frase de uma mulher, numa cidade do interior de Mato Grosso, pálida, tremendo. Chorou ao falar e mostrou o botão do pânico em sua mão. Essa senhora (cujo nome não se pode revelar) foi vítima de violência doméstica e, sem alternativa, teve que ir embora de casa, sem levar os filhos.
 
Não podemos nos esquecer das dores dessas mulheres que, em meio à celebração de tantas e tantas famílias, são mães e sofrem violência dentro de casa. Essas sonham mesmo é com um presente muito caro e singelo: um dia de paz com seus filhos, em total segurança. Sonham, com o que nós temos.
 
Não podemos nos esquecer dos filhos separados das mães, das mães que arriscam suas vidas permanecendo sob ameaça, pois não podem levar os filhos consigo (como fez a do exemplo, sob a pena de ter a alma dilacerada - enquanto luta pela preservação da vida).
 
Também não podemos nos esquecer dos órfãos que perderam sua maior referência afetiva para essa pandemia de violência, que culmina com o feminicídio.
 
A necessidade de combate à violência doméstica contra a mulher não se explica somente com números. É preciso que nossa sociedade tenha o compromisso com o humano e com a dor do outro. 
 
Nos deparamos com esta realidade em pleno século 21. A humanidade exalta suas inovações tecnológicas e até mesmo parece estar mais perto de descobrir os mistérios da vida. No entanto, o que temos para hoje no Brasil é a barbárie.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que em 2021, no Brasil, 2300 pessoas ficaram órfãs em razão do feminicídio. 
 
A mãe assassinada, o pai preso ou foragido, e uma marca eterna nessas crianças, uma chaga social, pois precisam de amparo estatal para prosseguir em seu desenvolvimento. 
 
O Dia das Mães (e todas as datas que lembram o amor e a fraternidade) são importantes para mudar paradigmas. A ambiência de respeito, valorização, igualdade, parceria no núcleo familiar que é capaz de afastar, de uma vez por todas, a violência dos lares.
 
Porém, é preciso lembrar que a inclusão da mulher no mercado de trabalho também é presente de Dia das Mães. Celeridade nos processos de violência contra a mulher também é presente de Dia das Mães. Conscientização sobre a violência também é presente de Dia das Mães. E muitas vezes, essas e outras ferramentas são o que garantem que aquele filho possa ao menos continuar tendo “a mãe viva”.  O único tipo de mãe que tem possibilidade de educá-lo. 
 
Neste Dia das Mães, precisamos refletir sobre quem é essa mãe agredida, presenteá-la com o que há de mais precioso: o direito à vida, à liberdade, o direito de ir e vir sem medo. E que este presente se estenda também aos seus filhos, para que tenham um futuro saudável longe de tragédias anunciadas.
 
* Glaucia Anne Kelly Rodrigues do Amaral é presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-MT e Procuradora do Estado.